terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Figimento






Pare! Você esta bem proximo de ler um ensaio! O meu conselho é que você saia dessa pagina o mais rápido possivel pois ensaios são palavras usadas em grande parte por filósofos ,eles as usam para nomear seus textos obscuros que não trazem nunca qualquer luz e apenas deturbam ainda mais a realidade.
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Obsessão,já faz um tempo que eu quero redigir um ensaio sobre o tema,produzi até alguns rascunhos aventureiros mas nunca tratei do tema com a seriedade que ele mereci e aproveitando desse movimento revolucionario que meu inconciente tem imposto,por que não?
Vamos começar pela morfologia da palavra,obsessão,bem...não sei! Ótimo,temos que tratar a ignorancia com tuda a sinceridade possível, a morfologia,como grande parte da nossa lingua,caiu no ostracismo logo na maioria das vezes a sua analise não se faz necessaria uma vez que não reflete o real viés da palavra e mesmo nos casos em que sua compreensão for simples a deixaremos de lado para dar vazão aos príncipios da escola empirista, ou seja não daremos ouvidos a essa metafísica escarneosa e vil e nós consentraremos puramente nas observações experimentais e nas destilações dessa.
O nosso calice apreciado aqui, me pareci que surge daquela pequenez humana em resistir a todo o resto que não seja seu objeto de prazer e tratar desse com perseverança,insistencia e adimiração inigualaveis.
Formalizando um exemplo; hoje há uma grande discução em torno do sexo, na teoria a coisa funciona de forma incrivelmente simples, existem dois time, você nasce atrelado a um deles e naturalmente é impelido a gostar dos torcedores do time adversario, claro que o ser humano como mal apreciador que é, da natureza, por vezes escolhe contrariar a lógica. Apesar de achar incompreensivel a atitude dessas pessoas que nadam contra a correnteza,seja pela minha natureza ou pelo meu bom senso, aprendi a tolerar e ignorar as distorções em contrapartida em todos esses anos respirando aqui, não houve um dia sequer que esse tema não veio a pauta, em qualquer mídia escolhida o tema esta sempre lá estampado com um foco admiravel e de certa forma mesmo eu que não sou um doutor das ciencias psicologicas entendo que em certa idade o ser humano fica dúbio sobre a sua torcida e sei que os infratores tentam erguer a voz a favor do que eles pensam que são seus direitos entretanto o fato aqui expresso não se concentra nas periferias mas sim no cotidiano, naquelas pessoas pequenas que se acumulão por aí, escavando dia após dia o assunto sem jamais se cansar, seja numa mesa de bar,no trabalho ou em casa, são escavadores incansaveis, estão sempre remoendo o tema como um cão sarnento que roe seu osso velho e mesmo quando a vida prepara surpresas ou oportunidades repentinas os velhos cães ainda se agaram em seus ossos com desespero como se o mundo lhe atiça-se uma chama de medo em sua grandeza.
O fato é que independente do tema escolhido por esses naúfragos o motivo é o mesmo,a fuga, a obsesão nada mais é que uma das varias faces do escapismo pois existem pessoas com varios tipos de sensibilidade, há aquelas que aceitam com facilidade o escape reles e há também aquelas que só aceitam o rebuscado e para essas a obsessão se faz necessaria pois perante a grandeza assustadora que o ser humano tem de se tornar, o objeto de fixação se torna acima de tudo uma necessidade,uma boia no vasto aceano. E não é de todo incompreensivel,eu pessoalmente tenho uma obsessão, a realidade,eu nunca sei de fato como ela se parece,onde ela se encontra,nesse exato momento posso estar sendo estrangulado por essa senhora sem ao menos perceber,as vezes sinto que ela dá umas piruetas ao meu redor remexendo o ar com certo desdém para ver se eu percebo, sem falar das inumeras vezes que me pego olhando pelo canto dos olhos para ver se pego um deslize dela se escondendo atrás de min, há também as ocasiões que acordo euforico,pois em sonho a realidade de desnudava para min, pórem no pós sonho a memoria some deixando apenas o vestigil mínimo de que esteve alí,apenas para me atordoar a angústia e em todo esse caminho trilhando nessa busca, eu tenho apenas uma certeza não sei como ela se pareci mas definitivamente ela tem um grande senso de humor.
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Vê, isso é um ensaio textos sem forma ou padrão definido que tem a arte de não falar nada com muitas palavras, como podem ver é de grande uso na politica por exemplo. Se você teve algum dos seus sentimentos remexidos,mesmo que por alguns segundos,lendo o texto,parábens, pois não havia nada lá, apenas palavras. E se mesmo assim o ar lhe ficou pesado, aí vai um texto do Fernando pessoa(ele mesmo) que eu gosto muito;

AUTOPSICOGRAFIA
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Fernando Pessoa
P.s- O meu Kabuki são as palavras.

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